tás a sentir, uma página de história, um pedaço da tua glória, que vai passar breve memória, tamos no pico do verão mas chove, por todo o lado, levo uma de cada, já tou bem aviado, cuspo directo no caderno, rimas saídas do inferno, que passei à tua pala, num tempo que pareceu eterno, tou de cara lavada, tenho a casa arrumada, lembrança apagada, duma vida quase lixada, passeio na praia, atacado, pelos clones, são tantos iguais, sem contar com os silicones, olho para o céu, mas toda a gente foi de férias, apetece-me gritar, até rebentar as artérias (respiro fundo), e lembro-me da força (guardo dentro do meu corpo), espero que ela ouça, todo o amor deste mundo, perdido num segundo, todo o riso, transformado, num olhar apagado, toda a fúria de viver, afastada do meu ser, até que um dia acordei, vi que estava a perder, toda a força que cresceu, na vida que deus me deu, a vontade de gritar bem alto: "O MEU AMOR MORREU". todo o mundo há-de ouvir, todo o mundo há-de sentir, tenho a força de mil homens, para o que há de vir.

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